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"Antes de entrar em combate
na Campanha da Itália, resolvi escrever um diário de guerra
bastante resumido, registrando no mesmo: o numero de cada missão,
data, objetivo a atacar, nome dos pilotos, horas voadas e, após
regressar – fosse nas barracas em Tarquinia ou no Albergo Nettuno
em pisa – o resumo da missão, citando os danos causados ao
inimigo, bem como os erros, que eram constantes, quando o alvo era uma
ponte ou cortes de estrada de ferro.
Para fazer o diário comprei duas mini-cadernetas cujo espaço
mal dava para escrever um relato mais completo. À proporção
que avançava em numero de missões, procurava citar o máximo
de detalhes – utilizando a linguagem tipo telegrama – dado
o pequeno espaço existente. Nunca imaginei que esses pequenos registros
seriam transformados em um livro.
Eu e Julinha – hoje com 65 anos de casados – perdemos em julho
de 1948 uma filha de 2 anos. Ficamos tremendamente abalados. Parei de
voar. Devido ao nosso estado emocional, pedi ao meu comandante uma licença
de 30 dias, prorrogáveis por mais 30 e fomos curtir nossa dor em
São Luis -M.A. na praia Ponta da Areia, que naquele tempo era ocupada
apenas por uma colônia de pescadores. Meu irmão mais velho
– Jose Henrique – pôs á minha disposição
uma pequena casa donde ele passava os fins de semana. Estava localizada
próxima ao antigo Forte de São Marcos erigido no período
do Brasil-Colônia, já naquela época – Julho
de 1948 – quase todo tomado pelo mar. Hoje não existe mais.
Levei em minha bagagem, além de alguns livros, o meu diário
de guerra. Resolvi nas minhas horas vagas desenvolver aqueles minguados
registros em um relato mais claro imaginando transforma-lo em u m livro.
Comprei um caderno e comecei a escrever cada missão usando como
auxilio o próprio diário, minha memória e os relatos
contidos no Daily Report, documento diariamente elaborado pelos nossos
competentes Oficiais de Informações – primeiramente
o Tenente aviador Jose Carlos Miranda Correa depois o Tenente Aviador
Oscar de Souza Spinola Jr. – que enviavam o original de cada missão
ao comando da 12ª Força Aérea da U.S.A.F. para conhecimento
e analise.
E fui escrevendo, escrevendo.....e parei na 48ª Missão. Li
tudo de uma tacada só, não gostei e resolvi encerrar o assunto.
Coloquei tudo em um envelope e arquivei no que chamamos “salvados
do incêndio”. Em 2007 fiz uma reforma no meu apartamento.
Ao recolocar a papelada no seu devido lugar, meu filho Pedro Luiz encontrou
o envelope onde estavam guardados o diário e o caderno. Encantado
como a descoberta levou ao seu amigo o Prof. Fernando Mauro Fonseca Chagas,
para uma apreciação do material escrito. Por iniciativa
do professor e de Pedro Luiz, os dois usando de todas as formas de argumento
para que eu terminasse as 46 missões restantes. Como não
concordei ele e o Professor Fernando Mauro levaram o material para o Professor
Doutor Paulo André Leira Parente – Mestre do Fernando Mauro
– que reforçou a apreciação feita anteriormente
com essas palavras;” o diário é uma pedra bruta a
ser lapidada que, se transformada em livro, servira como fonte de pesquisa
sobre a historia da II guerra Mundial por futuros historiadores”.
Com tanta pressão, completei as missões com o apoio nas
pesquisas e digitação do material pelo professor Fernando
Mauro e de meu filho Pedro Luiz. Ficamos durante meses trabalhando no
meu computados ate finalmente darmos por encerrado o trabalho.
O atual comandante do 1º Grupo de Aviação de Caça
– Ten. Cel. Av. Antonio Ramirez Lorenzo – ao tomar conhecimento
da existência do diário, juntou –se a eles e exigiu
a publicação do livro para o dia 18 de Dezembro d 2008 quando
o 1º grupo completa 65 anos.
O meu diário foi escrito a partir da minha primeira missão
de combate em 6 de novembro de 1944, terminando com a minha nonagésima
quarta missão em 1º de Maio de 1945. O Armistício na
Itália foi assinado no dia seguinte, em 2 de Maio de 1945, significando
para o Teatro de Operações No Mediterrâneo o fim da
II guerra mundial. O anuncio foi dado eplo radio: “the war is over!”
Eram 10 horas da manha. Naquele 2 de maio , data inesquecível para
mim, apenas dois pilotos do Grupo voaram – Meira e Tormin –
cumprindo a missão da madruga de reconhecimento metereológico
no Vale do Pó – o Armistício em toda Europa foi assinado
no dia 8 de maio de 1945."
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